
A Igreja Católica se prepara para o conclave mais globalizado da história, com 135 cardeais eleitores de 71 países diferentes. Em contraste com o passado — quando o processo podia levar anos e era dominado por europeus —, o próximo conclave promete manter a tendência de rapidez e diversidade observada nos últimos cem anos.
Desde a Idade Média, quando a escolha de um novo papa chegou a demorar 34 meses, o conclave evoluiu de um ritual político e religioso complexo para um processo ágil e rigoroso. De 1903 a 2013, o tempo médio de decisão caiu drasticamente: foram apenas três dias, com o conclave mais rápido ocorrendo em 1939, quando Pio XII foi escolhido em menos de 24 horas.
O cenário do próximo conclave mostra um Vaticano cada vez mais plural, com representação de todos os continentes:
Europa: 53 cardeais
Américas: 37
Ásia: 23
África: 18
Oceania: 4
Outro marco será o recorde de cardeais brasileiros votantes: sete estarão aptos a participar, um salto em relação a 2013, quando foram apenas três — e bem distante de 1903, quando nenhum brasileiro participou da escolha papal.
Realizado na Capela Sistina, a portas fechadas, o conclave começa até 20 dias após a Sé Vacante (morte ou renúncia do papa). Durante o processo, os cardeais juram silêncio absoluto, são isolados do mundo externo e não podem usar celulares ou redes sociais.
O ritual inclui até quatro votações por dia e o resultado só é conhecido por meio da tradicional fumaça que sai da chaminé: preta, se ainda não houve decisão, e branca, quando o novo papa é eleito com dois terços dos votos.
Apesar do aumento no número de votantes (de 62 em 1903 para 135 em 2025), os conclaves têm se tornado mais curtos. Em 2013, o papa Francisco foi escolhido em apenas dois dias. A rapidez é reflexo da maior preparação prévia, diálogos discretos entre os cardeais e das mudanças nas regras feitas pelo próprio Bento XVI, que permitiu antecipar o início do conclave.
Após a eleição, o cardeal escolhido adota um nome pontifício e se dirige à sacada da Basílica de São Pedro. Lá, é apresentado ao mundo com as palavras “Habemus Papam!”, enquanto a Praça de São Pedro — e o mundo — testemunham a chegada do novo líder de mais de 1,3 bilhão de católicos.
A expectativa cresce. O conclave que se aproxima é símbolo de uma Igreja em transformação, mais conectada com a pluralidade global — mas ainda fiel a ritos centenários. Quem será o próximo a vestir o branco?