
O clima esquentou entre o PDT e o governo federal após o líder do partido na Câmara dos Deputados, Mário Heringer (MG), declarar que uma eventual demissão do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, representaria também a exclusão do PDT do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Na minha opinião, se Lupi for demitido, ele (Lula) demite o partido. Acho que o partido não tem que colocar substituto de maneira alguma”, disse Heringer em entrevista ao Poder360, numa fala que escancarou a insatisfação do partido com o tratamento dado ao caso.
Carlos Lupi, que presidiu nacionalmente o PDT por anos, está no centro de uma crise política após uma operação da Polícia Federal revelar um esquema de descontos ilegais bilionários em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos entre 2016 e 2024. Apesar de não ser alvo direto das investigações, o ministro enfrenta pressão diante do desgaste público gerado pela revelação.
A operação levou ao afastamento de Alessandro Stefanutto da presidência do INSS, e identificou a participação de pelo menos onze entidades em descontos indevidos entre 2019 e 2024.
O deputado Mário Heringer também defendeu que o partido não indique um novo nome para o ministério caso Lupi seja exonerado. “A pasta só dá problema”, afirmou, citando o alto volume orçamentário como um dos fatores que a tornam alvo constante de irregularidades e desgaste político. “Não há possibilidade de a gente fingir que o nosso companheiro não foi atingido”, declarou o parlamentar, reforçando que, apesar da crise, o PDT não reconhece qualquer envolvimento com os crimes investigados.
Neste domingo (27), Carlos Lupi negou omissão ao ser questionado sobre alertas de fraudes no INSS recebidos desde junho de 2023. Segundo ele, a apuração interna foi iniciada e concluída ainda em setembro daquele ano. “Não me omiti, procurei agir”, afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast.
A crise reacende os atritos dentro da base governista e levanta dúvidas sobre a permanência do PDT na coalizão de apoio ao presidente Lula. O desfecho desse impasse pode redesenhar os rumos da articulação política em Brasília.