Há quase 200 anos, o som dos cascos, o brilho das armaduras e o fervor das orações dão vida às Cavalhadas de Franca , um espetáculo que é mais do que festa: é herança viva de fé, honra e coragem. Este ano, a 194ª edição recebeu uma presença que ecoou como um capítulo nobre na memória da cidade: Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, herdeiro de uma linhagem que ajudou a escrever a história do País.
Sua visita não foi apenas protocolar. Foi uma peregrinação cultural e devocional, marcada por missas, cavalgadas, encontros com famílias tradicionais e momentos de profunda conexão com as raízes do povo francano.
As Cavalhadas, com suas encenações das batalhas medievais entre mouros e cristãos, carregam séculos de simbolismo. Mais do que um espetáculo, são um ato de resistência contra o esquecimento, transmitido de geração em geração como prova viva de que valores como fé, honra e serviço à Pátria não se perdem com o tempo.
Ao lado de uma comitiva formada por intelectuais, juristas e amigos da Casa Imperial, Dom Bertrand iniciou sua jornada na Capela do antigo Colégio de Nossa Senhora de Lourdes, junto à Sé de Franca, onde elevou preces “pelo Brasil e pelos frutos espirituais da festividade”.
Seguiu para Itirapuã, onde, sob o repicar dos sinos, rezou na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, e conheceu o engenho colonial da Fazenda Barra Grande, ativo desde 1860. Ali, entre o aroma do café e o sabor da cachaça recém-tirada da fonte, partilhou uma mesa com pratos típicos que contam histórias frango caipira, carne na lata , temperados com hospitalidade e orgulho.
Na antiga casa da família Lemos, a noite foi de reverência à história: Hino da Independência, música erudita e conversas que atravessam gerações. Pedro Lemos resumiu o sentimento do momento:
“Vivemos tempos em que a pressa e a superficialidade ameaçam a memória. Receber Sua Alteza Imperial é reafirmar que o futuro se constrói sobre alicerces sólidos Fé, honra, amor à Pátria e respeito às nossas raízes.”
Na Fazenda Restinga, sob a condução da família Palermo Falleiros, Dom Bertrand montou cavalo e seguiu entre cafezais, embalado pela moda de viola. Recebeu obras e homenagens, como a do anfitrião Marcus Falleiros:
“Ele é um incansável defensor da propriedade privada e do agronegócio. Recebê-lo é motivo de orgulho.”
Sua despedida ocorreu na Igreja de Restinga, onde recebeu a Sagrada Comunhão e agradeceu pelos frutos espirituais da visita.
Mais do que uma presença ilustre, a vinda de Dom Bertrand às Cavalhadas de Franca foi um lembrete de que tradições só permanecem vivas quando encontram corações dispostos a mantê-las. Entre fé, cultura e memória, a cidade renovou seu pacto com o passado e lançou, com firmeza, o olhar para o futuro.