
O Dia de Santos Reis chega todos os anos como quem bate de leve na porta do coração. O 6 de janeiro não é apenas uma data do calendário cristão é um convite para revisitar memórias de infância, quintais iluminados por lamparinas, vozes simples entoando a Folia de Reis e aquele sentimento bom de pertencimento que só a fé popular sabe despertar.
A tradição relembra a jornada dos três reis magos Belchior, Gaspar e Baltazar , que cruzaram desertos seguindo uma estrela para encontrar o Menino Jesus. Mas, para além da história sagrada, o dia fala também das nossas próprias travessias. Cada pessoa carrega seus desertos invisíveis, suas buscas silenciosas por um pouco de luz, por um milagre que muitas vezes atende pelo nome de recomeço.
Em muitas cidades brasileiras, os ternos de Reis ainda percorrem as ruas levando música, poesia e bênçãos. O som da viola parece costurar o tempo: une os que já partiram aos que permanecem, aproxima vizinhos, reconcilia famílias e lembra que ninguém caminha sozinho quando existe um propósito maior guiando os passos.
Há quem prepare a mesa, parta o bolo, guarde as imagens no presépio e faça pedidos quase sussurrados. Pedidos de mãe para filho, de avó para neto, de amigo para amigo. É um dia onde o sagrado se mistura ao humano, e o humano descobre que também pode ser estrela na vida de alguém.
Santos Reis nos ensina que a verdadeira riqueza não estava no ouro, no incenso ou na mirra, mas no gesto de ir ao encontro. Ir ao encontro de Deus, do outro e de nós mesmos. Talvez por isso essa data mexa tanto com o sentimental: porque recorda que ainda somos capazes de acreditar, agradecer e amar com a mesma simplicidade dos antigos foliões.
Que neste Dia de Santos Reis a estrela da esperança também pare sobre a sua casa. E que, como os magos, você tenha coragem de continuar a jornada, certo de que todo caminho regado por fé sempre termina em abraço, em luz e em paz.