
Um gel radioativo de nova geração demonstrou capacidade de eliminar tumores de pâncreas em estudos pré-clínicos, representando um avanço promissor contra um dos tipos de câncer mais letais.
O câncer de pâncreas é uma das formas mais agressivas da doença, com baixas taxas de sobrevivência devido à resistência a fármacos e ao diagnóstico geralmente tardio. Agora, pesquisadores da Universidade Duke (EUA) desenvolveram uma abordagem inovadora: implantes radioativos que destroem os tumores de dentro para fora.
A técnica utiliza um gel biocompatível à base de polipeptídeos semelhantes à elastina (ELPs), no qual é injetado iodo-131 radioativo. O material mantém o isótopo confinado no tecido canceroso, liberando radiação beta de forma contínua. Esse processo destrói as células tumorais sem afetar órgãos vizinhos.
Quando associado à quimioterapia, o tratamento levou à eliminação completa dos tumores em 75% dos camundongos testados – um índice de sucesso muito superior ao registrado em pesquisas anteriores. Segundo os cientistas, a radiação interna constante potencializou o efeito dos quimioterápicos, tornando-os mais eficazes do que em terapias convencionais com radiação externa.
Os resultados foram descritos como “talvez os mais animadores das últimas décadas” na luta contra o câncer de pâncreas. Os pesquisadores destacam ainda que a técnica poderá ser aplicada futuramente a outros tipos de tumores de difícil tratamento.
Embora os ensaios em humanos ainda estejam por vir, a descoberta abre caminho para novas perspectivas de enfrentamento da doença, até então considerada praticamente intratável com as terapias atuais.
Fonte:
Jeffrey L. Schaal et al. Brachytherapy via injectable biopolymer 131I depot synergizes with nanoparticle paclitaxel in therapy-resistant pancreatic tumors, Nature Biomedical Engineering (2022).